domingo, 14 de setembro de 2008

À procura do que é certo

Ouço uma música qualquer, hoje já deve ser no mínimo a terceira vez que a ouço passar na rádio. Está calor aqui. Estou sozinha e um pouco chateada, se bem que a fúria já acalmou.
Dou comigo a pensar mais uma vez em ti. Já não sei se este sentimento é saudável ou não. Já não me sinto eu. Não controlo as minhas reacções, os meus sentimentos. Choro a qualquer palavra que me pareça menos correcta. A cada não que me dás. Fantasio os teus pensamentos.
Ultimamente estás mais distante devido ao que tem acontecido, e isso faz-me duvidar de ti, de todos. Giram fantasmas na minha cabeça…sem parar. Faço “filmes” e verdadeiras perseguições. Fico à espera que me ligues para conciliar os sítios por onde passei e tu não estavas com aquilo que vais dizer. Acabo por perceber que não me mentes. Mas isso não chega, não faz com que momentos a seguir eu já não esteja a pensar novamente numa possível traição ou mentira, simplesmente porque não me respondeste tão depressa como eu queria à mensagem que te enviei. Penso que olhas para todas as mulheres da forma como olhas para mim e que as levas a todas para a cama. Até hoje acho que nunca me mentiste. Ou mentes muito bem, ou simplesmente nunca tiveste necessidade de mentir. Isso devia fazer-me sentir especial. Ou não, acho que hoje me sentiria melhor se tivesse descoberto a tua relação, mas não, sinto-me mal por ter aceite entrar neste jogo. Apercebo-me que afinal não sabia quais as regras.
É inevitável, começam as dúvidas e as constantes interrogações. Não, não sei se… Será que é isso que quero? Tens a certeza?! Não te vais arrepender?! E as consequências?! Não vais sofrer mais?! Espero que me ligues ou simplesmente mandes mensagem. Se te esqueces fico furiosa. Agora estás com Ela, tenho uma tarde difícil para passar.
Antes éramos bem mais parecidos, davas-me mais valor. Sou agora um bem adquirido?
As pessoas são como são e eu tenho mais é que tentar compreende-las, entender, respeitar e acima de tudo não julgar as ideias que cada um tem, actos e formas de vida. E eu, quem me entende a mim? Porque não posso sair do risco, não posso explodir de vez enquando. Eu também tenho vida própria, sentimentos. Tenho as minhas falhas, só quero que as compreendam.
Ainda estou a aprender a dirigir o meu mundo, sem a interferência de estranhos sentimentos, de estranhas reacções que nem mesmo eu conheço. Estou a aprender para não perder o que de mais precioso tenho na vida.
Quero mudar. Tenho mesmo de mudar, para poder andar bem com os meus pensamentos e com o mundo dos sentimentos. Tenho cargas negativas que me atrapalham a vida. Por vezes navego à deriva. Apenas quero poder amar e ser amada. Mas amar á minha maneira. Não quero sofrer mais. Não quero implorar um carinho. Não quero dividir-te com ninguém.
Sinto-me incompreendida, frustrada. Será demais pedir que me ames só a mim? Pedir para não ter de te dividir com ela. Ser a outra já deu o gozo que tinha a dar. Agora que te amo, quero ser eu, só eu.
Ponho-me com a cabeça a andar à roda...fico sem saber o que fazer, qual a melhor atitude a tomar. Quero ver-vos separados e ao mesmo tempo as minhas dúvidas assombram os meus pensamentos. Deixo de ter controlo sobre mim.
Irrita-me o facto de tanta gente o saber menos ela. A pedra no meu sapato teima em não sair. Mas ao mesmo tempo sei que a nossa relação só tem significado enquanto ela estiver connosco. Esta relação só resulta a três. Vou-me deixando levar. Sinto que a minha vida não tem destino, sem planos para o futuro, sinto-me incompreendida.
Frustra-me. Posso ter a melhor noite da minha vida, o teu melhor carinho, aquele simples abraço reconfortante, aquele nosso beijo, mas logo a seguir surge ela. Um jantar, “porque tem mesmo de ser. Hoje é dia de estar com ela. Já não vou busca-la há uma semana, tem mesmo de ser bebé”. Depois do jantar uma ida até tua casa. Coisas normais, afinal são namorados. E eu fico mal. Torturo-me. Porque agora vocês estão juntos. Será que estás a pensar em mim?
Começo a sentir-me obcecada. É doentio, mas só quero que nunca me deixes. Sou capaz de sofrer isto toda a minha vida. Mas viver sem ti? Isso torna-se impensável. Como sou fraca. Não preciso disto…tento meter isso na minha cabeça, mas não o consigo sentir.
Deixei de ter vida própria. Adaptei a minha vida à tua, os meus gostos aos teus. Adaptei a minha vida como mulher aquilo que pretendes…uma mulher submissa. Faço o que for preciso para não te contrariar. E tu, o que fazes por mim? Quantas vezes desististe das tuas ideias por mim. Quantas vezes me fizeste um agrado? Poucas! E ultimamente tem sido ainda com menos frequência.
Fazes-me sentir uma rainha e ao menos tempo uma escrava. Mas escrava por amor, por opção. O amor é mesmo assim, cada um é responsável por aquilo que sente. Não podemos culpar o outro por não nos amar como nos gostaríamos. Por não gostar o suficiente para optar.
A verdade é que ninguém possui ninguém. Mas nós temos o terrível hábito de marcar como nosso aquilo que temos. A verdadeira essência da liberdade é ter sem possuir. Mesmo que tenhamos a coisa mais importante do mundo.
Sinto por vezes o mundo a cair-me aos pés. Tento abstrair daquilo que se deve estar a passar. Porque não penso eu nos bons momentos que passamos juntos? No tempo que me dedicas, nas vezes que me escolheste. Porque não penso nos momentos de prazer, nas horas que passamos a rir? Porque não penso eu que sou melhor do que ela?
Porque sim, em algum instante eu fui melhor do que ela. Em algum momento te apaixonaste por mim, pela pessoa que sou.

1 comentário:

Ciclideo disse...

Olá!

Nós não nos conhecemos! Eu vim aqui parar através do link que deixaste no "Shiuuuu". Mais concretamente num segredo meu... Cheguei aqui e comecei a ler-te, devagarinho e acenando com a cabeça a cada texto, a cada confirmação de um filme que também parece o meu. Assustadoramente parecido para eu entender perfeitamente o sentimento que ilustra cada palavra. Infelizmente e respondendo à tua questão: não sei qual é a solução! Ou se sei, parece-me demasiado complicada. Se encontrares uma solução fácil, passa pelo meu blog e partilha :)

Abraços!
Pedro Santos